sábado, agosto 11, 2007

Filhos da Petrossauro

Existe algo de podre no Reino das Bananas, e esse algo é a Petrobras.

Ontem, enquanto enfrentava os atemorizantes elevadores do prédio de Letras, ouvi típicos bolcheviques universitários conversando sobre algo que, se eles conseguissem fazer, seria a maior vitória da esquerda em uns 30 anos. Já quase saindo da sorumbática experiência do elevador, entendi a que se referiam: reestatizar a Vale.

Enquanto vemos a classe média (ops! quando ela reclama, se transforma em "a Zelite") reclamando de algo factível (a corrupção e incompetência do governo), vemos a esquerda, eternamente utópica, reclamando que uma empresa, que controlada pelo Estado estava na bancarrota, é considerada, hoje, uma das empresas mais lucrativas do mundo. Qual a vantagem da estatização? Nenhuma. Mas qual esquerdista liga para o mundo real? O que importa é que eles querem brincar de socialistas, mesmo quando não percebem.

Existem fundos de investimento de alto risco, hoje em dia. Coisa pra quem pode se arriscar a investir em algo e perder tudo, depois. Contudo, as possibilidades de lucro podem ser altíssimas, também. Há gente especializada nisso - é o chamado private equity (capital privado), que compra empresas mal-geridas, à beira do precipício, investe em infra-estrutura e administração e as revende por uma fortuna. O fundo americano Matlin Patterson comprou a Varig por 24 milhões e a revendou para a Gol por 320 milhões. Assim funciona num mundo liberal sem encheção do Estado.

Já com o Estado... bem, se há uma péssima gerência das despesas, tudo o que você pode fazer é aumentar impostos e fazer a população pagar pelo rombo. Já com administração privada, se uma empresa quebra, quem paga o pato é quem a quebrou. Nada mais justo.

A Petrobras já tem mais de 50% de capital privado. Os 50% restantes são um dos maiores perigos para o Brasil. Se ela vai mal, quem paga é o povo. Se ela vai bem, serve apenas para pagar os gastos infindáveis da máquina do Estado, além de tramóias partidárias. Para quem tem dúvidas, é só ver o vídeo abaixo.

O próximo filme político bombástico sobre a ditadura militar (deve ser o de número 247 desde que Lula chegou ao poder, todos comverbas da Petrobras, mesmo que sejam um fiasco no mercado e nunca ninguém os assista) chama-se Hércules 56, o nome do avião que levou 15 presos políticos para o México após o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick pelo grupo terrorista de extrema-esquerda MR-8.

O MR-8 tinha entre suas lideranças Franklin Martins, o homem que me fez parar de abreviar meu nome como F. Martins. Franklin Martins é aquele atual jornalista que Diogo Mainardi definiu como "José Dirceu até a morte" em sua coluna "Observatório da Imprensa". É aquele mesmo que, após mais algumas trocas de farpas com Diogo na imprensa, resolveu processá-lo. É aquele mesmo cujos amigos Kennedy Alencar e Paulo Henrique Amorim, sabiam, antes mesmo da defesa de Mainardi e da Editora Abril ser anexada ao processo, qual seria o resultado que o juiz daria em primeira instância, e quanto seria cobrado por sua honra (R$30.000,00). É aquele mesmo que, em mais mostras de estranhas ligações com o governo, ganhou um estranho carguinho público: Ministro da Comunicação Social (?) - pela primeira vez na história do país, a pasta é ocupada por um jornalista, numa clara quebra da ordem natural de fiscalização e isenção.

É o mesmo ex-líder do MR-8, grupo que ainda publica o pasquim mequetrefe "Hora do Povo", fazendo ameaças (de quê?) a Diego (sic) Mainardi em sua capa no meio do imbróglio na Justiça entre os dois: "Já o pequeno canalha perdeu apenas algum dinheiro. Sabemos o que o vil metal significa para certo tipo de pessoa. Ainda assim, ao que tudo indica ele está pedindo para perder algo mais. Pode ficar tranqüilo. Não faltarão almas pias para fazer a sua vontade”.

Esse é o seqüestrador. Entre os presos, quem encontramos? José Dirceu, aquele que anda armado desde os 19 anos, que só vai confessar em quem atirou quando passar dos 80 anos, ex-braço direito (epa!) e super-ministro de Lula, que está em campanha por "anistia" após sua cassação. O mesmo que recebeu bengaladas do curitibano Yves Hublet. O mesmo que se demitiu do cargo para não ter de suportar denúncias sobre a orquestração do mensalão e está inelegível até 2015.

Agora, ambos brilham nas telas. Aposto que professores de "humanidades" de tendência marxista farão muitos alunos assistir o filme. Prevejo como todos falarão da luta contra a ditadura, mas ninguém admitirá que o MR-8 e a ANL queriam implantar uma ditadura ainda mais sanguinária. Presumo que, com verbas do governo federal, estarão todos se defendendo, falando em "operações táticas" para dizer "seqüestro", e "libertação" para dizer "terrorismo".

Mas sei de uma coisa, leitor: todos estarão se defendendo. Com o seu dinheiro.

Alguém mais aí quer vender a Petrossauro?

2 comentários:

Flavio Morgenstern disse...

Post Scriptum: "Nunca antes nesse país", como diria o Lula, caíram tantos ministros. Zé Dirceu caiu por causa do mensalão e a CPI dos Correios. Foi substituído por José Genoíno, que caiu por causa da orquestração do mensalão (também) e foi substituído por Tarso Genro, o comunista mais radical da alta cúpula stalinista do PT.

Entrementes, Ricardo Berzoini foi o homem recrutado para substituir Genoíno (e mais Delúbio Soares e Sílvio Pereira) na Presidência do PT. Também caiu após a compra do dossiê anti-tucanos defendido pelo Observatório de Imprensa, Caros Amigos, Carta Capital e Hora do Povo, embora tenha retornado ao cargo.

Alguém aí se lembra de quantos ministros caíram na era Collor?

Anônimo disse...

Eu trabalho para a Petrobrás, e vejo como aquilo poderia explodir MESMO se fosse privatizada...
É tanta merda acontecendo, tanta coisa errada que apavora... Pra vc ter uma idéia, eles tinham 2 contratos pro mesmo serviço com a gente, pagavam 2x pela mesma coisa e ninguém nunca falou nada...
Abraços!
Juliano, the EOC.