quinta-feira, julho 19, 2007

Imprensa não-golpista

frase do dia: "Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive."- H. L. Mencken


Reclamam que a imprensa burguesa é "golpista". Que está sempre querendo ferrar os homens públicos. Eu reclamo do contrário: uma imprensa que não é golpista e não esteja querendo ferrar ninguém está fazendo propaganda, não jornalismo.

O papel da imprensa não é ser boazinha. Não é selecionar e proteger alguns. Não é esconder falcatruas. Imprensa serve para falar mal. A imprensa é o ápice da calúnia em sua forma civilizada. É o dedo-duro não-oficial (pois, novamente, não pode receber seu ganha-pão de que tem de dedurar). É o urubundsman do homem político.

Afirmei, anteontem, que logo iriam querer tirar a culpa de Lula. Ontem, os mesmos veículos presumíveis não cansaram de falar de excesso de velocidade do piloto. Nem lançaram outra alternativa. A "imprensa burguesa e golpista", de Veja a Estadão, de Reinaldo Azevedo a Patrícia Mello, comentou também sobre a velocidade do piloto. Não obstante, não esqueceu de lembrar sobre a pista de Congonhas, que os pilotos apelidaram de Holiday on Ice.

Estamos apontando culpados? Os especialistas já apontaram culpa do governo e da Infraero (e por que não? alguém confia nela depois dos últimos 9 meses, por acaso?). Ainda não sabemos quem é que pode ser indiciado por inadimplência, para abusar do eufemismo.

Gilberto Dimenstein, na Folha On Line, encontrou um culpado. Somos nós, é claro. Eu disse que Lula, provavelmente, usará o discurso "Onde foi que erramos", que usou no caso do PCC. Dimenstein se adiantou e proferiu, de antemão, esse discurso. A culpa não é de uma autoridade responsável pelos aeroportos - a culpa é nossa, que não interrompemos nossas tarefas diárias para ir verificar a aderência da pista de Congonhas.

Cito o final de seu curto depoimento:

"Vivemos um clima de guerra civil nas cidades porque não se prestou a atenção na educação, na inclusão de jovens e no aperfeiçoamento da segurança. Morrem milhares de crianças por falta de condições básicas de saúde, fáceis de serem atendidas. Estamos vendo a volta de doenças como tuberculose. A cada dia, só na cidade de São Paulo, morre um motoboy, vítima não só dele próprio, mas também da selvageria da falta de controle.

"Se formos olhar porque somos um país tão potencialmente rico mas tão pobre, veremos que temos tragédias evitáveis apenas porque deixamos para depois o conserto de uma pista."

Mais uma vez, a lorota de que temos crimes violentos por falta de Educação - sugiro filmar uma conversa entre Lula e Marcola, com Pasquale, Fiorin e Bosi na platéia, para apostarmos quem estudou mais.

Deixamos para depois o conserto de uma pista? Eu nunca viajei de avião na vida, e por razões pessoais nem é algo que eu pretenda fazer tão cedo. Pagando - e caro - para que as autoridades façam seu papel, se algo dá errado, é culpa da autoridade, não minha.

Eu não posso demitir Waldir Pires. Lula pode. Eu não posso trocar o comando da Infraero. Lula pode.

Quando não se quer encontrar um culpado, apela-se para uma suposta culpa de todos. E assim, novamente, sai mais uma de calabresa sem culpar ninguém.

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