domingo, dezembro 17, 2006

Caros Congressistas

frase do dia: "Nossos corruptos são tão incompetentes que só conseguem roubar do governo. Se fossem ladrões na iniciativa privada morreriam de fome." - Millôr Fernandes


Carta aberta enviada aos e-mails dos diversos congressitas que aumentaram em 91% seus salários pois estavam em vias de extinção pela fome:


Caros congressistas, (com o perdão do trocadalho)

A população brasileira e mesmo os poucos gatos pingados do resto do mundo que ainda se lembram da existência desse país, talvez em razão do filme Turistas, andam aos frangalhos após a notícia do aumento dos Vossos honorários. Não venho por meio dessa ser mais um numa míriade de histéricos brasileiros que se indignam com qualquer coisa, pois sei de quão ilibidas são Vossas personalidades, e de quão cansativo é Vosso labutar anual - são mesmo poucos os brasileiros que suportariam tão avultoso montante de horas trabalhadas por solstício, sobretudo tendo de agüentar os insuportáveis e sempiternos discursos de Eduardo Suplicy, que fazem qualquer minuto ter o peso de uma eviternidade.

Não, venho cumprir minha cidadania (talvez por nunca ter ganho uma medalha de escoteiro) e dar dicas de como Vossas Excelências podem economizar essa dinherama mingüada, pois tudo nesse país vai pro ralo dos impostos pagando a máquina burocrática, inclusive Vossos próprios salários, o que faz com que paguem para receberem. Algumas laboriosas dicas econômicas que podem ser úteis para que não precisem de um novo aumento, digamos, de 150% nos próximos 3 meses.

Primus, é bem sabido que boa parte dos gastos de um parlamentar é escoado nas escarificantes mensalidades das escolas dos filhos, pois nenhum dos senhores, de inquestionável inteligência, é idiota a ponto de colocar o filho numa escola pública, não obstante o tanto que arrogam terem feito pela Educação nesse país. Pois bem, uma boa medida seria criar batalhões entre os próprios parlamentares para, nas raríssimas horas vagas do Congresso, darem aulas para seus filhos ali mesmo - aliás, as cadeiras são mais confortáveis até que as do Rio Branco. Quem não gostaria de ter seu filho tendo aulas com os próprios governantes, os entes mais preparados para tal fardo?

Quem não gostaria de ver seu filho tendo aulas de inglês com Aldo Rebelo, de economia com Delfim Neto, de oratória com Eduardo Suplicy ou, quiçá, de ética com Toninho Malvadeza?

Secundus, é um direito notório, outorgado pela Constituição, que um parlamentar deve ganhar o suficiente para viver a vida apenas legislando, sem preocupações extra-curriculares, e que não tem nenhum dever de legislar. Possuindo tal democrático direito conquistado a duras lutas, manobras políticas, transmutação elitoreira e demais tramóias perfeitamente legais, por que não confraternizar os minguantes momentos em que os ocupadíssimos congressistas estão de férias entre um projeto de lei e outro e organizar grandes festins? É de se duvidar que nenhum dentre vós sabe cozinhar, e preparar um suculento leitão à pururuca para ser vendido em feiras livres por Brasília a preços populares pode acabar com a fome de boa parte do Sobradinho e da Ceilândia.

Isso também pode ser aproveitado para o lazer, por que não?, sendo que todos sabemos o quanto um estressado legislador deve esfriar sua mente após tanta labuta. Que tal colocar uma rede no meio da mesa do chefe da casa para animadas partidas de pingue-pongue, e evitar exorbitantes preços de partidas de tênis, golfe e turfe? Isso também poderia ajudar a fazer entender o governo e a oposição, organizados em duplas PSOL e PFL contra PSDB e PT, quem diria?

Tertius, os parlamentares em questão também têm direito aos bons gozos que a vida proporciona, é claro. É o único prazer que tanto os filhos do Bradesco quanto os flagelados da seca têm em igual proporção, excetuando-se o fator estético, o espelho de teto e os vibradores tailandeses de 3 velocidades. E é notório e bem conhecido de todos que o Congresso Brasileiro não possui, digamos, um salão oval.

Assim, sugiro que o erário transmutado em comissão parlamentar que está sendo, digamos, investido nas profissionais que cuidam dos bons tratos de nossos caros congressistas seja melhor aplicado (!) num michê fixo, mensal, pago a concursadas para executar essas funções. Não são poucos os casos de machos que pararam de freqüentar as putas por calcularem ser mais econômico pagar tributos tabelados à estagiárias de Direito e Comunicação.

Já aqueles cujos perus estão em desuso há alguns bons equinócios, tratei de pesquisar o preço do Viagra e notei como ele deve ser mesmo uma notória preocupação no bolso (sem trocadalho) dos congressistas. Ainda não encontrei uma solução viável para tal delicado impasse, mas se o Bill Gates doou Viagra para a África - bela ação, apesar de atrapalhar o urgente controle populacional - creio que um pedido para a Microsoft, talvez com renúncia fiscal abonada, venha bem a calhar, pois é um gasto que influi diretamente no peso dos impostos da máquina do Estado, concordam?

Enfim, parafraseando Churchill, O que eu espero, cavalheiros, é que depois de um razoável período de discussão, todos concordem comigo.

Com meus sinceros sentimentos (melhor não perguntar quais),


Morning Star.

In principio erat Verbam

frase do dia: "Tentar é o primeiro passo para o fracasso." - Homer Simpson

Bípedes que me estão a ler, sejam todos bem-vindos ao meu novo blog - lar de destilações venenosas de mau humor político e tergiversações doidivanas econômicas - ou nem tanto, graças à verborragia que faz todos lerem esses textos a uma média de 5 palavras por minuto.

Esse novo blog tem o intuito de falar, sobretudo, de política - ou politicagem, como acontece no nosso querido país. Ame-o ou deixe-o, pois ele, definitivamente não quer mudar e seguir a cadeia evolutiva.

Faço-o com o ímpeto de quem queria mesmo era um emprego semanal no Manhattan Connection, mas sabe que tem cabelo branco de menos e fala palavrões demais pra fazer parte de seu cast - o que faria com que a Lúcia ou o Lucas me mandassem à merda em pouco tempo de programa (no bom sentido, é claro).

Como o leitor informado já terá percebido, nunca esconderei a tendência política em voga nesses alfarrábios - e em boa parte da internerd - por achar que é impossível escrever com imparcialidade. Como já bem dizia até o Adorno, o próprio ato de escrever já é uma tomada de posição. Dessarte, já clarifico o caminho de meus (desejáveis) futuros inquisidores, assumindo que sou orgulhosamente reaça, e se alguém quiser vir aqui fazer sua função social e me explicar pormenorizadamente suas digníssimas opiniões sobre o Olavo de Carvalho ou o PSDB, já aviso que, infelizmente, vivemos numa ditadura em que o Blogger não me permite excluir comentário algum, portanto todos são livres para me encher o saco, mas há uma grande chance de receberem um belo "te fode" no esfíncter como réplica.

Enquanto vivo sem poder ter uma verba de apoio de uma Primeira Leitura (ó, triste perda!) e muito menos de uma Veja, tenho de continuar a escrever em vãs tentativas de me tornar mais um perseguido político e ser processado pelo Aldo Rebelo. Mas, caso alguém se ofenda demais com o que escrevo, pode ser macho o suficiente pra responder com um artigo virulento de oposição, ser viado o suficiente pra tentar me processar (é um belo início de carreira - a mim, claro) ou ser inteligente o suficiente e me pagar uma pinga. Afinal, todos estamos nessa não pelo verbo, e sim pela verba.

Have fun.